terça-feira, 11 de setembro de 2012


Parabéns  a todos que participaram da Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro- 3ª Edição , especialmente aos alunos : Isabelle Carvalhais Gomes – 5ª C ,  Gabrielle Isabel Alves Toledo­ – 7ª B, Demirwilliam Rogério de Almeida – 8ªB , pois tiveram seus textos selecionados para a etapa seguinte.

A Cidade que mora em mim

Eu era um menino muito arteiro. E como meus pais eram muito severos, meu lugar favorito para aprontar era a escola onde eu estudava. Lembro-me de uma vez que eu estava na sala e minha professora tinha uma enfermidade nos olhos, então ela sempre levava um algodão com um copo de água para umedecê-los. Resolvi aprontar uma. Coloquei tinta de caneta na água que ela usava,  quando ela molhou seus olhos, começou a chorar. E eu me diverti. A professora da sala ao lado ouviu o tumulto e foi logo perguntando quem tinha feito aquilo. Meus amigos logo me deduraram. Então a professora me deu um tapa. Depois veio o diretor puxou a minha orelha e me arrastou até a sua sala.
Quando chegou lá, ele me perguntou qual tinha sido o lugar que eu levei  o tapa. Eu disse ‘’deste lado’’, achando que ele ia punir a professora, então ele bateu do outro lado. Quando eu cheguei em casa relatei o acontecido, levei o terceiro tapa, desta vez da minha mãe.
Outra traquinagem minha foi na rua onde eu morava. Naquele tempo, as crianças ainda podiam brincar na rua. Havia poucos carros transitando. Numa dessas ‘’peladas’’ de fim de tarde, acabei chutando sem querer a bola em um fio de alta tensão. Quase toda a rua ficou sem energia. E como esses acontecimentos voam, quando cheguei em casa, minha mãe já estava sabendo do ocorrido. Mas foram as palavras de meu pai que me fizeram sentir um pânico que ainda hoje me lembro com clareza. ‘’ Vá para seu quarto’’,  ele disse com estas palavras enxutas. Quando ouvi estas palavras achei que seriam as últimas. Mas subi sem contestar suas ordens, era arteiro, mas não era louco.
Fiquei em meu quarto sozinho só por uns segundos, no entanto  pareceram horas que foram interrompidas pelo abrir e fechar da porta anunciando sua chegada. Ele parecia maior naquele momento. Então fui recuando diante de sua presença. Cheguei ao limite. Estava grudado na parede, seria o meu fim.
Meu pai tirando sua cinta de couro, uma gaiata da qual ele não se separava quase nunca. Estava a poucos centímetros de mim. Eu podia ouvir a sua respiração.  Mas, de repente deixou sua cinta cair, assim como as suas lágrimas. Ficamos ali imóveis, nós dois. Nunca vou me esquecer desse dia, o que ele chorou naquela hora,  eu choro neste momento. Foi à maior surra que já levei em toda a minha vida. ‘’ Uma surra moral’’.
Já não era tão criança, estava com treze anos e comecei a trabalhar em um jornal. Eu limpava a oficina, os banheiros e as máquinas. Depois me tornei tipógrafo, uma profissão que hoje não existe mais.
Logo depois comecei a namorar e, ainda hoje me lembro que ficávamos na pracinha da minha vila ‘’ A Vila Marcondes’’. Nesta época, não havia a destruição que há hoje; não havia pichações, nem depredações. Era um lugar bonito.
Vivi muitas mudanças na minha cidade. Algumas como já disse, boas e outras, ruins. Umas delas foi o ‘’Centro Cultural Matarrazo’’ que na minha época de garoto era só um armazém para depósito de café e hoje deposita cultura e lazer.
A minha história se mistura com a história desta cidade, Presidente Prudente. O meu casamento de cinqüenta e cinco anos vividos aqui, meu namoro de dez também vividos aqui, o meu trabalho no jornal local. Às vezes, me pergunto se eu moro em Presidente Prudente ou se ela que mora em mim.















As aparências enganam

Necessitando de um pouco de lazer, fui ao parque do povo, uma paisagem que transporta você para um lugar que parece não pertencer a esta cidade, presidente prudente. Muitas árvores, crianças e animais dividindo este oásis cercado por muros de concreto. E foi neste lugar magnífico, entre saques e manchetes e um calor insuportável de uma partida de vôlei, que a natureza me chamou.
Subindo as pressas as escadas e atravessando o alambrado “finalmente” cheguei ao banheiro.
Abrindo a porta rapidamente, notei que algo estava errado, pois quando respirei naquele ambiente, percebi que o cheiro do lugar estava diferente dos outros banheiros masculinos que eu havia entrado.
 O perfume que eu sentia era doce como a “mulher” que o estava usando. Quando eu vi aqueles cabelos longos e loiros, logo, pensei, “deve ser um engano, meu ou dela”, então eu a toquei no ombro com o meu dedo indicador de leve, porque é assim que se devem tratar as mulheres.
 No entanto, quando ela se virou e pude ver a sua face, levei um susto tão grande que até me perdi com as palavras. A partir deste momento ela, que já não merecia esse titula, me falou com a sua grossa voz “Qual foi, meu irmão”. Sem nada a dizer, eu apenas me virei e voltei para a quadra.
Enquanto eu voltava, não podia deixar de pensar porque ainda não se pensou em construir um terceiro banheiro para travestis, pois situações como estas são desconcertantes para ambas as partes. Se existem banheiros para senhores e senhora, porque não para esta que é considerada uma classe emergente?!
Depois disso tudo, pude chegar a uma conclusão, os sustos podem até atrasar as necessidades fisiológicas.






Minha Pequena Grande Cidade

Minha cidade é o lugar
Onde gosto de morar
Há lugares para estudar,
Trabalhar e passear.

Tem teatros...
Que levam historia e fantasias
Nos cinemas passeamos
Com amigos todos os dias.

Mas nem tudo é tão perfeito assim,
Com o crescimento da cidade
Também aumentaram as necessidades.
Assaltos, homicídios e tráficos de drogas
Infelizmente tinham que aparecer.
Todos os dias na mesma empreitada.

Acordam antes do sol
E só voltam para casa
Com a noite já enluarada.

A minha cidade é assim
Um lugar que tem alegria
Mas que também tem nostalgia
Um lugar perfeito para mim...  

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